Seminário Integrador em Clínica CirúrgicaVolvo de sigmoide - descompressão endoscópica e cirurgia eletivaNível 2
Homem de 78 anos, morador de instituição de longa permanência, com constipação intestinal crônica, apresenta distensão abdominal acentuada e parada da eliminação de gases há 2 dias. Ao exame: afebril, FC de 90 bpm, PA de 135/80 mmHg, abdome muito distendido e timpânico, pouco doloroso, sem sinais de peritonite. Lactato e leucócitos normais.
A radiografia simples mostra alça colônica muito dilatada, em forma de U invertido, que parte da pelve em direção ao hipocôndrio direito. A tomografia confirma torção do mesossigmoide (sinal do redemoinho), sem pneumatose, sem pneumoperitônio e sem líquido livre.
Qual é a conduta mais adequada?
ALaparotomia de urgência com sigmoidectomia e colostomia terminal (Hartmann)
BDescompressão por retossigmoidoscopia com sonda retal e sigmoidectomia eletiva na mesma internação✓ correta
CEnema opaco com bário para redução do volvo
DDescompressão endoscópica e alta, sem cirurgia programada
ENeostigmina intravenosa em dose única e observação
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A alternativa B está correta: no volvo de sigmoide sem sinais de isquemia ou perfuração, a primeira conduta é a descompressão endoscópica, com deixar uma sonda retal; como a taxa de recidiva é alta (mais de 50%), a sigmoidectomia deve ser feita de forma eletiva na mesma internação, depois do preparo do paciente. A cirurgia de urgência (A) fica reservada para falha da descompressão ou sinais de gangrena e perfuração. A alta sem cirurgia (D) só é aceitável em pacientes sem nenhuma condição cirúrgica. Enema baritado (C) tem risco de perfuração, e a neostigmina (E) é usada na pseudo-obstrução colônica (síndrome de Ogilvie), não no volvo mecânico. Referência: diretrizes WSES (2023) e ASCRS para volvo de cólon.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.