Seminário Integrador em Clínica CirúrgicaApendicite aguda na gestante - escolha do exame de imagemNível 2
Gestante de 26 anos, com 24 semanas de idade gestacional, procura o pronto-socorro com dor abdominal há 18 horas. A dor começou na região periumbilical e migrou para o flanco e a fossa ilíaca direita, com náuseas e inapetência. Ao exame: temperatura de 37,9 °C, FC de 98 bpm, PA de 110/70 mmHg, dor à palpação do flanco direito, sem sinais de peritonite difusa. Os batimentos cardiofetais estão normais. Leucócitos de 15.800/mm³, com desvio à esquerda.
A ultrassonografia abdominal feita por radiologista experiente não visualizou o apêndice cecal e não mostrou líquido livre nem alterações anexiais.
Qual é o próximo passo mais adequado?
ATomografia computadorizada de abdome com contraste intravenoso, por ser o método de maior acurácia
BAlta hospitalar com analgesia e orientação de retorno se houver piora da dor
CRessonância magnética de abdome e pelve sem contraste (gadolínio)✓ correta
DLaparotomia exploradora mediana imediata, sem mais exames de imagem
EAntibioticoterapia oral isolada e nova ultrassonografia em 7 dias
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: na gestante com suspeita de apendicite e ultrassonografia inconclusiva, a ressonância magnética sem gadolínio é o exame de segunda linha recomendado, pois tem boa acurácia e não usa radiação ionizante. A tomografia (A) fica reservada para quando a RM não está disponível, pela exposição do feto à radiação. Dar alta (B) ou tratar só com antibiótico oral (E) é perigoso: a perfuração do apêndice na gestação aumenta muito o risco de perda fetal. A laparotomia sem confirmação (D) não é a melhor escolha quando há um exame seguro disponível para esclarecer o diagnóstico em poucas horas. Referência: diretrizes da WSES (Jerusalém) e do American College of Radiology sobre imagem na gestante.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.