Seminário Integrador em Clínica CirúrgicaTrauma abdominal - síndrome compartimental abdominal e controle de danosNível 3
Homem de 45 anos está no primeiro dia de pós-operatório de laparotomia por trauma abdominal fechado, com esplenectomia e rafia hepática, e recebeu reanimação volêmica e transfusão maciça. A aponeurose foi fechada. Está em ventilação mecânica na UTI e evolui com abdome muito distendido e tenso, aumento progressivo da pressão de pico da via aérea, diurese de 10 mL/h nas últimas 4 horas e piora da creatinina. A pressão intravesical medida corretamente é de 28 mmHg. Hemoglobina estável.
Qual é a conduta mais adequada?
APrescrever furosemida em bolus para restaurar a diurese e repetir a medida em 6 horas
BLaparotomia descompressiva com peritoneostomia e fechamento temporário da cavidade✓ correta
CAumentar a infusão de cristaloide para melhorar a perfusão renal
DAumentar a PEEP e a sedação e reavaliar a pressão intravesical em 24 horas
ETomografia de abdome para pesquisar sangramento antes de qualquer intervenção
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A alternativa B está correta: a pressão intra-abdominal acima de 20 mmHg com nova disfunção orgânica (oligúria, piora renal e aumento da pressão ventilatória) define a síndrome compartimental abdominal, cujo tratamento é a laparotomia descompressiva, deixando o abdome aberto com fechamento temporário (peritoneostomia). Medidas clínicas como sedação, sondagem nasogástrica e balanço hídrico ajudam na hipertensão intra-abdominal leve, mas não substituem a descompressão quando já há falência orgânica. A furosemida não age sobre a causa, que é a compressão da veia renal e do parênquima. Mais cristaloide aumenta o edema visceral e piora a síndrome. Esperar 24 horas ou levar à tomografia atrasa uma intervenção que salva a vida. Referência: diretrizes da World Society of the Abdominal Compartment Syndrome (WSACS).Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.