Seminário Integrador em Clínica CirúrgicaTrauma abdominal - tratamento não operatório do baçoNível 2
Mulher de 22 anos cai de bicicleta e bate o flanco esquerdo no guidão. Chega consciente, orientada, com FC de 88 bpm, PA de 118/76 mmHg e FR de 18 irpm, sem alterações após a reanimação inicial. Há dor à palpação do hipocôndrio esquerdo, sem sinais de peritonite. FAST com pequena quantidade de líquido periesplênico. Tomografia com contraste: laceração esplênica grau III (AAST), com hemoperitônio pequeno, sem extravasamento ativo de contraste e sem outras lesões. Hemoglobina de 11,9 g/dL.
Qual é a conduta mais adequada?
AEsplenectomia por laparotomia, pelo grau da lesão e pela presença de hemoperitônio
BEsplenectomia videolaparoscópica eletiva nas primeiras 24 horas
CAlta hospitalar com orientações e retorno ambulatorial em 7 dias
DAngioembolização esplênica obrigatória antes de qualquer outra conduta
ETratamento não operatório com internação, exame físico e hemoglobina seriados e centro cirúrgico disponível✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: em paciente hemodinamicamente estável, sem peritonite e sem outras lesões que exijam laparotomia, o tratamento não operatório é o padrão para lesões esplênicas de baixo e médio grau. Ele exige monitorização, exame abdominal e hemoglobina seriados e disponibilidade imediata de cirurgia caso haja instabilidade. A presença de hemoperitônio ou o grau III, isoladamente, não indicam esplenectomia, e preservar o baço evita o risco de sepse pós-esplenectomia. A alta precoce é insegura pelo risco de sangramento tardio. A angioembolização é reservada a pacientes com extravasamento de contraste (blush), pseudoaneurisma ou lesões de alto grau, e não é obrigatória neste caso. Referência: ATLS e diretrizes da WSES e da EAST para trauma esplênico.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.