Seminário Integrador em Clínica CirúrgicaATLS - choque hemorrágico e transfusão maciçaNível 2
Homem de 30 anos, vítima de atropelamento, chega à sala de emergência 40 minutos após o trauma. Está confuso e ansioso, com FC de 136 bpm, PA de 82/50 mmHg, FR de 32 irpm, enchimento capilar lentificado e extremidades frias. Há dor e instabilidade à palpação da pelve. eFAST sem líquido livre em abdome, tórax ou pericárdio. Já recebeu 1 L de cristaloide aquecido, sem resposta hemodinâmica.
Qual é a conduta mais adequada?
AInfundir mais 3 L de cristaloide e reavaliar antes de indicar hemoderivados
BTransfundir apenas concentrado de hemácias até hemoglobina de 10 g/dL, adiando o plasma
CRealizar tomografia de pelve com contraste para definir o local do sangramento antes de outras medidas
DIniciar noradrenalina para manter pressão arterial sistólica acima de 120 mmHg
EEstabilizar a pelve com cinta, iniciar transfusão balanceada de hemácias, plasma e plaquetas e administrar ácido tranexâmico✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: o paciente está em choque hemorrágico classe III a IV, provavelmente por fratura pélvica instável, e não respondeu ao volume inicial. O ATLS recomenda estabilizar a pelve com cinta ou lençol, ativar o protocolo de transfusão maciça com proporção balanceada de hemácias, plasma e plaquetas e dar ácido tranexâmico nas primeiras 3 horas do trauma, com hipotensão permissiva até o controle do sangramento (angioembolização, fixação ou tamponamento pré-peritoneal). Grandes volumes de cristaloide pioram a coagulopatia, a hipotermia e a acidose. Repor só hemácias ignora a coagulopatia do trauma. Vasopressor não trata hipovolemia e a meta de PAS de 120 mmHg aumenta o sangramento. Levar um paciente instável à tomografia é contraindicado.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.