Seminário Integrador em Clínica CirúrgicaComplicações pós-operatórias - febre e deiscência de anastomoseNível 2
Homem de 64 anos está no 6º dia de pós-operatório de hemicolectomia direita com anastomose ileocólica primária. Vinha bem, mas há 24 horas tem febre, dor abdominal e distensão. Exame: temperatura axilar de 38,6 °C, FC de 118 bpm, PA de 112/70 mmHg, FR de 22 irpm. Abdome distendido, doloroso em flanco direito e mesogástrio, sem sinais de peritonite difusa; ferida operatória sem secreção. Leucócitos de 18.500/mm³ com desvio à esquerda e proteína C-reativa elevada. Ausculta pulmonar normal; diurese clara.
Qual é o próximo passo mais adequado na investigação?
AIniciar antibiótico empírico e reavaliar em 72 horas, sem exame de imagem
BTomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste✓ correta
CRadiografia de tórax e fisioterapia respiratória para tratar atelectasia
DUrocultura e sondagem vesical de demora para tratar infecção urinária
EUltrassonografia com doppler venoso de membros inferiores
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A alternativa B está correta: febre entre o 5º e o 7º dia de pós-operatório com dor abdominal, taquicardia e leucocitose após anastomose intestinal sugere deiscência de anastomose ou abscesso intracavitário. A tomografia com contraste confirma o diagnóstico e orienta drenagem percutânea ou reoperação em paciente hemodinamicamente estável. Tratar com antibiótico às cegas e esperar 72 horas atrasa o diagnóstico de uma complicação potencialmente fatal. Atelectasia e resposta inflamatória são causas típicas das primeiras 48 horas, e infecção urinária e TVP não explicam a dor e a distensão abdominal. Referência: abordagem da febre pós-operatória por dia de evolução (Sabiston, Schwartz).Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.