Medicina Intensiva e TerminalidadeControle de sintomas no fim de vida: sororocaNível 1
Homem de 88 anos está em cuidados de fim de vida, com sinais de morte iminente: inconsciente, extremidades frias e respiração irregular. Começa a ter um ruído respiratório gorgolejante a cada inspiração, sem sinais de desconforto como agitação ou expressão facial de sofrimento. A família, à beira do leito, fica muito angustiada e pergunta se ele está 'se afogando'.
Qual é a conduta mais adequada?
AAspirar a via aérea por via traqueal de forma profunda e frequente para eliminar o ruído
BAumentar a hidratação venosa para deixar as secreções mais fluidas
CAdministrar furosemida em dose alta como primeira escolha
DIntubar o paciente para proteger a via aérea
EExplicar à família que o ruído (sororoca) é comum no fim de vida e provavelmente não causa sofrimento ao paciente, mudar o decúbito para lateral, reduzir a hidratação e, se necessário, usar anticolinérgico como butilescopolamina✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A correta é a E. A sororoca é o ruído causado pelo acúmulo de secreções na faringe de pacientes que não conseguem mais engolir ou tossir, e é muito comum nas últimas horas de vida. Explicar o fenômeno à família é parte central do cuidado. O decúbito lateral, a redução de líquidos e o anticolinérgico (butilescopolamina ou escopolamina), de preferência no início do quadro, diminuem o ruído. A aspiração traqueal profunda e repetida (A) é desconfortável e estimula mais secreção. Mais hidratação (B) piora o acúmulo de secreções. Diurético (C) não é a primeira escolha sem congestão pulmonar, e a intubação (D) seria obstinação terapêutica.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.