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Conferência familiar, decisão compartilhada e manejo de conflitos — Medicina Intensiva e Terminalidade

Medicina Intensiva e TerminalidadeConferência familiar, decisão compartilhada e manejo de conflitosNível 3

Homem de 86 anos tem doença de Alzheimer em fase avançada. Está acamado, não se comunica verbalmente e tem disfagia, com a terceira pneumonia aspirativa em seis meses. Não tem capacidade decisória nem diretiva antecipada de vontade. Na enfermaria, os três filhos discordam: um exige gastrostomia e intubação 'se precisar', outro acha que o pai 'já sofreu demais', e a terceira diz que não consegue decidir.

Qual é a melhor conduta da equipe?

ASeguir a decisão do filho que mora com o paciente e cuida das despesas, por ser o responsável mais próximo
BPedir que os filhos votem entre eles e adotar a opção da maioria
CManter todas as medidas, incluindo gastrostomia e intubação, até que a família chegue a um consenso unânime
DApresentar todas as opções de tratamento, sem dar recomendação médica, e pedir que a família escolha, para respeitar a autonomia
EFazer uma conferência familiar estruturada, buscar o que o paciente valorizaria (julgamento substituto), recomendar um plano proporcional ao prognóstico e construir o consenso de forma compartilhada, recorrendo ao comitê de bioética se o impasse continuar✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A correta é a E. Quando o paciente não tem capacidade nem diretiva antecipada, a decisão substituta deve seguir o julgamento substituto, ou seja, o que o próprio paciente escolheria, e não as preferências de cada familiar. A conferência familiar organiza essa conversa, e a decisão compartilhada exige que o médico dê uma recomendação técnica. Na demência avançada, a gastrostomia não aumenta a sobrevida nem previne pneumonia aspirativa. Apresentar opções sem recomendação (D) transfere à família um peso que gera culpa e conflito. Votação (B) ou a vontade do filho que paga as despesas (A) não têm base ética. Manter tudo até haver consenso (C) é obstinação terapêutica e fere a não maleficência. Se o impasse continuar, cabe pedir apoio do comitê de bioética.
Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.
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