Medicina Intensiva e TerminalidadeLuto normal versus luto complicadoNível 1
Mulher de 68 anos perdeu o marido na UTI há cinco semanas. Na consulta com o médico de família, relata tristeza, choro quando lembra dele, saudade intensa e dificuldade leve para dormir. Continua cuidando da casa, encontra os netos e consegue falar do marido com carinho. Não tem ideação suicida nem sentimentos de inutilidade. A filha pergunta se a mãe precisa começar um antidepressivo.
Qual é a conduta mais adequada?
ADiagnosticar luto complicado, porque os sintomas já passam de um mês, e iniciar inibidor seletivo de recaptação de serotonina
BDiagnosticar episódio depressivo maior e iniciar antidepressivo associado a benzodiazepínico
CPrescrever benzodiazepínico de uso contínuo para a insônia, por ser o sintoma mais incômodo
DEncaminhar a paciente de forma obrigatória à psiquiatria para psicoterapia intensiva
EReconhecer um luto normal, acolher e validar a experiência, orientar a família e manter o acompanhamento, reavaliando se os sintomas ficarem intensos e incapacitantes por muitos meses✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A correta é a E. O quadro é de luto normal: tristeza e saudade em ondas, preservação da funcionalidade e das relações e ausência de desvalia ou ideação suicida, poucas semanas após a perda. A conduta é acolher, validar, orientar e acompanhar, sem medicalizar. Luto prolongado (complicado) só é considerado quando há saudade e sofrimento intensos e incapacitantes por muito mais tempo (6 a 12 meses, conforme o critério usado), por isso a alternativa A erra no prazo. Não há critérios para depressão maior (B). Benzodiazepínico de uso contínuo (C) pode atrapalhar a elaboração do luto e causar dependência. Encaminhar todo enlutado ao especialista (D) não é necessário.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.