Medicina Intensiva e TerminalidadeDistúrbios ácido-base: cetoacidose diabética grave e ânion gapNível 3
Mulher de 22 anos, com diabetes tipo 1, chega ao pronto-socorro com vômitos, dor abdominal e respiração profunda e rápida. Ela está desidratada, com PA de 96/60 mmHg. Exames: glicemia de 520 mg/dL; pH 7,05; bicarbonato de 6 mmol/L; sódio de 132 mmol/L; cloro de 96 mmol/L; potássio de 3,0 mmol/L; cetonemia elevada. O ECG mostra ritmo sinusal com ondas U discretas.
Qual é a conduta inicial correta?
AIniciar insulina regular em bolus e infusão contínua imediatamente, porque a acidose é grave.
BAdministrar bicarbonato de sódio, porque o pH está abaixo de 7,10.
CIniciar a infusão contínua de insulina e a reposição de potássio simultaneamente.
DIniciar soro fisiológico a 0,9% e repor potássio, adiando a insulina até corrigir a hipocalemia.✓ correta
ETratar como acidose metabólica hiperclorêmica, já que o ânion gap está normal.
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: é uma cetoacidose diabética grave com ânion gap elevado (132 menos 96 mais 6, igual a 30) e potássio de 3,0 mmol/L. Como a insulina leva o potássio para dentro das células, ela deve esperar até a hipocalemia ser corrigida, enquanto se faz hidratação e reposição de potássio, para evitar hipocalemia grave e arritmia. Iniciar a insulina já (A) ou junto com a reposição (C) desconsidera esse risco. O bicarbonato (B) fica reservado para acidose extrema, com pH em torno de 6,9 a 7,0 ou menos, e não para pH de 7,05. A alternativa E erra o cálculo do ânion gap, que está claramente aumentado.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.