Medicina Intensiva e TerminalidadeDelirium na UTI: CAM-ICU e pacote ABCDEFNível 2
Mulher de 74 anos está no quarto dia de UTI por choque séptico de foco urinário, já sem vasopressor e em ar ambiente. A enfermagem relata que ela está 'quieta demais' e sonolenta, com RASS -1. Na aplicação do CAM-ICU, o quadro começou de forma aguda e flutua ao longo do dia; ela erra várias letras no teste de atenção e responde de forma desorganizada a perguntas simples. Ela usa óculos e aparelho auditivo, que estão guardados desde a internação, e recebe midazolam em bolus à noite para dormir.
Qual é a interpretação e a conduta mais adequadas?
ANão há delirium, porque a paciente não está agitada; manter a prescrição atual.
BDelirium hiperativo; iniciar haloperidol em dose fixa a cada 6 horas.
CQuadro depressivo pela internação prolongada; iniciar antidepressivo.
DDelirium hipoativo; aumentar o midazolam noturno para regular o ciclo sono-vigília.
EDelirium hipoativo; suspender o benzodiazepínico e adotar medidas não farmacológicas, como reorientação, óculos e aparelho auditivo, higiene do sono, mobilização precoce e presença da família.✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: o CAM-ICU é positivo (início agudo e flutuante, desatenção e pensamento desorganizado) em paciente sonolenta, o que caracteriza delirium hipoativo, a forma mais comum e menos reconhecida. A conduta do pacote ABCDEF prioriza retirar os fatores precipitantes, como os benzodiazepínicos, e adotar medidas não farmacológicas. Achar que delirium exige agitação (A) é um erro clássico. Haloperidol de rotina (B) não reduz a duração do delirium, e o quadro não é hiperativo. Aumentar o midazolam (D) piora o delirium. Atribuir o quadro a depressão (C) ignora o achado objetivo do CAM-ICU.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.