Medicina Intensiva e TerminalidadeDrogas vasoativas e inotrópicas: dobutamina e marcadores de perfusãoNível 3
Homem de 66 anos está internado na UTI há 12 horas com choque séptico de foco pulmonar. Ele recebeu volume adequado e está com noradrenalina, com PAM de 70 mmHg. Mesmo assim, o lactato subiu de 3,8 para 4,5 mmol/L, o tempo de enchimento capilar é de 5 segundos, as extremidades estão frias e a saturação venosa central de oxigênio é de 55%. A hemoglobina é de 9,2 g/dL. O ecocardiograma mostra fração de ejeção do VE de 25%, sem disfunção prévia conhecida, e não há sinais de fluidorresponsividade.
Qual é a conduta mais adequada?
AInfundir nova alíquota de 30 mL/kg de cristaloide.
BAumentar a noradrenalina até atingir PAM de 85 mmHg.
CAssociar dobutamina à noradrenalina.✓ correta
DTransfundir concentrado de hemácias até hemoglobina de 10 g/dL.
EAdministrar bicarbonato de sódio para corrigir a acidose lática.
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: o paciente tem disfunção miocárdica séptica com hipoperfusão persistente (lactato subindo, enchimento capilar lento, SvcO2 baixa) apesar de volume e PAM adequados, e a Surviving Sepsis Campaign sugere associar dobutamina à noradrenalina (ou usar adrenalina) nesse cenário. Mais volume (A) não faz sentido em quem não é fluidorresponsivo e tem VE com fração de ejeção baixa, e pode causar congestão. Elevar a PAM para 85 mmHg (B) aumenta a pós-carga sem resolver o baixo débito. Transfundir com hemoglobina de 9,2 g/dL (D) contraria a estratégia restritiva, em que o limiar habitual é 7 g/dL. Bicarbonato (E) não melhora o desfecho na acidose lática com pH acima de 7,2.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.