Genética ClínicaÉtica em genética - sigilo versus dever de informar familiaresNível 3
Homem de 45 anos, em tratamento de adenocarcinoma de cólon, tem diagnóstico de síndrome de Lynch por variante patogênica germinativa em MLH1. Tem dois irmãos e uma irmã, com quem rompeu relações há anos. Ele se recusa a informá-los e pede ao médico que não entre em contato com eles.
Qual é a conduta mais adequada?
AComunicar os irmãos imediatamente por carta, pois o dever de informar sempre prevalece sobre o sigilo em diagnósticos genéticos.
BManter o sigilo, explorar os motivos da recusa, explicar o benefício da colonoscopia precoce para os irmãos, oferecer carta familiar e registrar tudo em prontuário, reservando a quebra de sigilo para situação excepcional.✓ correta
CEncerrar o vínculo com o paciente e encaminhá-lo a outro médico, por quebra da relação de confiança.
DInformar o empregador dos irmãos, para que inclua colonoscopia nos exames ocupacionais periódicos.
ERegistrar a variante nos prontuários dos irmãos, que são atendidos no mesmo serviço, sem comunicá-los.
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A alternativa B está correta: o sigilo médico é a regra pelo Código de Ética Médica, e a principal estratégia é trabalhar com o próprio paciente a comunicação aos familiares, mostrando que, na síndrome de Lynch, a colonoscopia periódica precoce previne câncer e salva vidas. Carta familiar e apoio psicossocial costumam facilitar a comunicação. A quebra de sigilo por justo motivo é tema debatido e só deve ser cogitada excepcionalmente, depois de esgotadas as tentativas e de preferência com apoio de comitê de bioética. A alternativa A trata como regra o que é excepcional. Informar o empregador (D) ou lançar dados nos prontuários dos irmãos (E) viola o sigilo e a LGPD, que classifica dados genéticos como sensíveis. Romper o vínculo (C) é abandono do paciente.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.