Genética ClínicaOncogenética - retinoblastoma e hipótese de KnudsonNível 3
Menina de 14 meses é diagnosticada com retinoblastoma bilateral e multifocal após a família notar leucocoria. Não há história familiar de câncer ocular, e os pais são saudáveis. Ela tem um irmão de 3 meses. Os pais perguntam sobre a causa e as implicações para a família.
Qual afirmação está correta?
ATumores bilaterais indicam dois eventos somáticos independentes em cada olho, e o risco para o irmão e para a futura prole é o da população.
BComo não há história familiar, a doença é esporádica e não hereditária, e o teste genético é dispensável.
CA variante em RB1 é herdada de forma autossômica recessiva, então os futuros filhos da paciente terão risco de 25%.
DA bilateralidade sugere variante germinativa em RB1; oferecer teste germinativo, informar risco próximo de 50% para a prole futura, fazer fundoscopia seriada no irmão até o teste esclarecer e vigiar segundos tumores.✓ correta
EApós a enucleação o risco de segundo tumor é nulo, pois a ação do gene se restringe à retina.
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: pela hipótese de dois eventos de Knudson, o retinoblastoma bilateral e multifocal geralmente resulta de uma variante germinativa em RB1 (primeiro evento presente em todas as células), seguida de perda somática do outro alelo na retina. Mesmo sem história familiar, a variante pode ser de novo ou vir de mosaicismo parental, por isso se faz teste germinativo e vigilância do irmão. A prole da paciente terá cerca de 50% de chance de herdar a variante, com alta penetrância, já que a herança é autossômica dominante, embora o mecanismo celular seja recessivo (C). Como a variante está em todas as células, há risco aumentado de segundos tumores, como osteossarcoma e sarcomas, sobretudo após radioterapia (E). A alternativa A descreve o mecanismo típico dos tumores unilaterais unifocais.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.