Genética ClínicaInterpretação de laudos: heterozigose composta e fase (cis/trans)Nível 3
Uma menina de 2 anos tem infecções respiratórias de repetição, baixo ganho de peso e dois testes do suor positivos. O sequenciamento de CFTR, feito só nela, identificou duas variantes patogênicas em heterozigose: c.1521_1523del (p.Phe508del) e c.1624G>T (p.Gly542Ter).
Qual é o passo mais adequado para confirmar a interpretação molecular?
ANenhum, pois duas variantes patogênicas no mesmo gene sempre configuram heterozigose composta
BSolicitar sequenciamento do genoma, pois o painel não estabelece o diagnóstico
CTestar os pais, para confirmar que as variantes estão em alelos diferentes (em trans)✓ correta
DConsiderar a criança apenas portadora, pois as variantes estão em heterozigose
EFazer MLPA de CFTR, para pesquisar uma terceira variante do tipo deleção
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: o sequenciamento em uma única pessoa, por técnica de leitura curta, geralmente não mostra se duas variantes estão no mesmo cromossomo (em cis) ou em cromossomos homólogos diferentes (em trans). Testar os pais define essa fase. Só a configuração em trans, ou heterozigose composta, confirma a doença autossômica recessiva e permite o aconselhamento correto da família. Supor sempre heterozigose composta (A) ignora a possibilidade de as variantes estarem em cis, no mesmo alelo. Chamar a criança apenas de portadora (D) confunde heterozigose de cada variante com o genótipo completo. O sequenciamento do genoma (B) e o MLPA (E) não resolvem a fase das variantes já encontradas.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.