Genética ClínicaInterpretação de laudos: classificação ACMG/AMP e conduta diante de VUSNível 2
Um homem de 35 anos tem cardiomiopatia hipertrófica confirmada em ecocardiograma e ressonância. Um painel NGS para cardiomiopatias identificou, em heterozigose, uma variante missense em MYBPC3, classificada como variante de significado incerto (VUS) pelos critérios ACMG/AMP. O irmão dele, de 30 anos e assintomático, quer saber se deve testar essa variante para decidir se precisa de acompanhamento.
Qual é a conduta mais adequada?
ATestar o irmão para a variante e dispensar o acompanhamento cardiológico se o resultado for negativo
BConsiderar o diagnóstico molecular confirmado e oferecer teste preditivo a todos os parentes de primeiro grau
CConcluir que a cardiomiopatia do paciente não tem causa genética, pois nenhuma variante patogênica foi encontrada
DInformar à família que a variante é benigna, pois não foi classificada como patogênica
ENão usar a VUS para decisões clínicas nem para teste preditivo; manter o rastreamento clínico dos parentes e solicitar reanálise periódica da variante✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: pelos critérios ACMG/AMP, uma VUS não tem evidência suficiente para ser considerada causal nem benigna, e por isso não deve guiar decisões clínicas. Também não deve ser usada em teste preditivo de familiares. O rastreamento cardiológico dos parentes de primeiro grau continua indicado pela história familiar, e a variante deve ser reanalisada com o tempo. Estudar a segregação em outros familiares afetados pode ajudar a reclassificá-la. Dispensar o acompanhamento do irmão com base na VUS (A) é perigoso. Tratar a variante como patogênica (B) ou como benigna (D) é um erro de classificação. Uma VUS também não afasta etiologia genética (C).Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.