Genética ClínicaHerança autossômica dominante: mutação de novo e idade paterna (acondroplasia)Nível 2
Um recém-nascido tem rizomelia, macrocefalia com bossa frontal e mãos em tridente. A investigação identificou em heterozigose a variante FGFR3 c.1138G>A (p.Gly380Arg), classificada como patogênica. Os pais têm estatura normal e não são consanguíneos. A mãe tem 28 anos e o pai, 46 anos. O casal pergunta sobre o risco em uma próxima gestação.
Qual é a interpretação mais adequada?
AA doença tem herança autossômica recessiva e os pais são portadores; o risco de recorrência é de 25%
BUm dos pais provavelmente tem a variante sem manifestá-la (penetrância incompleta); o risco de recorrência é de 50%
CVariantes de novo nesse gene costumam ter origem no alelo materno; o risco depende principalmente da idade da mãe
DA variante provavelmente surgiu de novo na linhagem germinativa paterna, o que se associa à idade paterna avançada; o risco de recorrência é baixo✓ correta
EO quadro decorre de dissomia uniparental paterna do cromossomo 4; o risco de recorrência é desprezível
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: cerca de 80% dos casos de acondroplasia resultam de variantes de novo em FGFR3. Elas surgem quase sempre na espermatogênese e se associam à idade paterna avançada. Com pais de estatura normal, o risco de recorrência é baixo, apenas um pouco acima do populacional por causa da possibilidade de mosaicismo germinativo. A acondroplasia é autossômica dominante com penetrância praticamente completa. Por isso, a herança recessiva (A) e um genitor portador sem manifestação (B) não se aplicam. A origem é paterna, e não materna (C). A dissomia uniparental (E) não é o mecanismo dessa doença.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.