Farmacologia Clínica IIColchicina: interação com inibidores do CYP3A4 e da glicoproteína PNível 3
Homem de 72 anos, com gota e doença renal crônica (TFGe de 40 mL/min/1,73 m²), usa colchicina 0,5 mg duas vezes ao dia como profilaxia e atorvastatina. Foi internado por pneumonia e recebeu claritromicina. No quinto dia, tem diarreia profusa, fraqueza muscular proximal, creatinofosfoquinase 12 vezes acima do limite superior e pancitopenia.
Qual mecanismo explica principalmente a toxicidade observada?
AIndução do CYP3A4 pela claritromicina, gerando metabólito tóxico da colchicina
BDeslocamento da colchicina da albumina pela claritromicina
CProlongamento do intervalo QT, com miopatia secundária à hipocalemia
DInibição da xantina oxidase pela claritromicina, potencializando a colchicina
EInibição do CYP3A4 e da glicoproteína P pela claritromicina, reduzindo a depuração da colchicina✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: a colchicina é substrato do CYP3A4 e da glicoproteína P, que a eliminam por metabolismo hepático e por efluxo intestinal e biliar. A claritromicina inibe os dois, e o nível de colchicina sobe, com toxicidade gastrointestinal, neuromiopatia e mielossupressão. A doença renal crônica reduz ainda mais a eliminação. A inibição do CYP3A4 também eleva a atorvastatina e soma risco de rabdomiólise. Na prática, deve-se suspender a colchicina ou preferir um macrolídeo com pouca inibição do CYP3A4, como a azitromicina. A claritromicina inibe o CYP3A4 e não o induz (A), e não atua sobre a xantina oxidase.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.