Farmacologia Clínica IIMecanismos de resistência - ESBL e carbapenêmicosNível 2
Homem de 58 anos, diabético, com clearance de creatinina de 70 mL/min, é internado com pielonefrite e bacteremia. Está febril, com pressão arterial de 100 x 60 mmHg após hidratação. A hemocultura mostra Escherichia coli produtora de betalactamase de espectro estendido (ESBL), resistente a ceftriaxona e cefepima, e sensível in vitro a piperacilina + tazobactam, amicacina e carbapenêmicos.
Qual é o antimicrobiano de escolha para o tratamento dirigido?
ACeftriaxona em dose dobrada, pois a concentração urinária supera a CIM.
BCefepima em infusão estendida, por ser cefalosporina de quarta geração mais estável às betalactamases.
CPiperacilina + tazobactam, já que o antibiograma mostrou sensibilidade in vitro.
DMeropenem, por ser estável à hidrólise pelas ESBL.✓ correta
EAmoxicilina + clavulanato intravenosa, pois o clavulanato inibe as ESBL.
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: os carbapenêmicos são estáveis à hidrólise pelas ESBL e são o tratamento de escolha nas infecções graves e bacteremias por enterobactérias produtoras dessas enzimas. Embora piperacilina + tazobactam (alternativa C) possa parecer ativa in vitro, ela teve desfecho inferior ao meropenem em bacteremias por ESBL, pelo efeito de inóculo e pela hidrólise parcial. Cefalosporinas de terceira e quarta geração (A e B) são hidrolisadas pelas ESBL, e aumentar a dose não supera a resistência. O clavulanato (E) não garante eficácia clínica em infecção sistêmica grave por ESBL.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.