Farmacologia Clínica IISulfonilureias no idoso, critérios de Beers e desprescriçãoNível 3
Mulher de 82 anos, com diabetes mellitus tipo 2, doença renal crônica com TFGe de 35 mL/min/1,73 m² e déficit cognitivo leve, usa glibenclamida 10 mg duas vezes ao dia e metformina 500 mg duas vezes ao dia. A filha relata episódios de confusão e sudorese de madrugada; numa das vezes, a glicemia capilar foi de 42 mg/dL. A hemoglobina glicada é de 6,4%.
Qual é o ajuste terapêutico mais adequado?
AReduzir a glibenclamida à metade da dose e manter a meta de hemoglobina glicada abaixo de 6,5%
BSubstituir a glibenclamida por insulina NPH 0,5 UI/kg ao deitar
CManter o esquema e orientar um lanche noturno rico em carboidratos
DSuspender a metformina, que é a principal causa da hipoglicemia nessa paciente
ESuspender a glibenclamida e, se necessário, usar um inibidor da dipeptidil peptidase 4 (DPP-4), como a linagliptina, com meta de hemoglobina glicada menos rígida✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: a glibenclamida é uma sulfonilureia de ação longa com metabólitos ativos de eliminação renal. Consta nos critérios de Beers como inapropriada para idosos pelo alto risco de hipoglicemia grave e prolongada, risco que aumenta na doença renal crônica. Em idosa frágil, com déficit cognitivo e hipoglicemias, a meta de hemoglobina glicada deve ser menos rígida (por exemplo, abaixo de 8%). Os inibidores de DPP-4 quase não causam hipoglicemia, e a linagliptina dispensa ajuste renal. A metformina (D) em monoterapia praticamente não causa hipoglicemia e pode ser mantida em dose reduzida com TFGe de 35. Reduzir a dose (A) mantém o fármaco inadequado e uma meta perigosa.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.