Farmacologia Clínica IIInibidores de SGLT2: cetoacidose euglicêmicaNível 2
Homem de 55 anos, com diabetes mellitus tipo 2 e insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, usa metformina e dapagliflozina. Foi internado para colecistectomia, ficou em jejum prolongado e teve náuseas e vômitos no pós-operatório. Os exames mostram glicemia de 190 mg/dL, pH 7,18, bicarbonato de 10 mmol/L, ânion gap aumentado, beta-hidroxibutirato sérico elevado e lactato normal.
Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta adequada?
ACetoacidose euglicêmica associada ao inibidor do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (SGLT2); suspender a dapagliflozina e tratar com insulina intravenosa associada a soro glicosado✓ correta
BAcidose lática associada à metformina; suspender a metformina e iniciar hemodiálise de urgência
CEstado hiperglicêmico hiperosmolar; hidratação vigorosa sem insulina, pois a glicemia está pouco elevada
DAcidose tubular renal induzida pela dapagliflozina; reposição oral de bicarbonato e manutenção do fármaco
ECetose de jejum benigna; reintroduzir a dieta e manter os antidiabéticos orais
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
A alternativa A está correta: a acidose metabólica com ânion gap aumentado, cetonemia e glicemia abaixo de 250 mg/dL em usuário de inibidor de SGLT2 caracteriza a cetoacidose euglicêmica. A glicosúria induzida pelo fármaco baixa a glicemia e a insulinemia e aumenta o glucagon. Jejum, cirurgia e vômitos favorecem a cetogênese. O tratamento exige insulina, e o soro glicosado é necessário para evitar hipoglicemia. A acidose lática (B) não se sustenta com lactato normal e cetonemia elevada. O inibidor de SGLT2 deve ser suspenso dias antes de cirurgias eletivas para prevenir esse quadro.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.