Farmacologia Clínica IIImunoterapia oncológica - efeitos adversos imunomediadosNível 2
Homem de 63 anos, com melanoma metastático, recebe nivolumabe (anti-PD-1) associado a ipilimumabe (anti-CTLA-4). Na oitava semana, apresenta oito evacuações diarreicas por dia acima do seu habitual, com cólicas e muco. A pesquisa de toxina de Clostridioides difficile e a coprocultura são negativas. Está hemodinamicamente estável e hidratado.
Qual é a conduta mais adequada?
AIniciar loperamida e manter a imunoterapia, pois a diarreia é um efeito adverso esperado e autolimitado.
BSuspender a imunoterapia e iniciar metronidazol empírico, pela provável infecção bacteriana intestinal.
CManter o nivolumabe com metade da dose e suspender apenas o ipilimumabe.
DManter a imunoterapia e iniciar mesalazina oral, por se tratar de doença inflamatória intestinal desencadeada pelo tratamento.
ESuspender a imunoterapia e iniciar corticoide sistêmico em dose alta, reservando infliximabe para os casos refratários.✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: os inibidores de checkpoint removem freios da resposta imune (CTLA-4 e PD-1) e podem causar efeitos adversos imunomediados. A colite é mais frequente com o ipilimumabe e com a combinação. Diarreia com 7 ou mais evacuações por dia acima do habitual é colite grau 3 e exige suspensão da imunoterapia e corticoide sistêmico em dose alta (1 a 2 mg/kg/dia de equivalente de prednisona). Nos casos refratários após 48 a 72 horas, usa-se infliximabe. Loperamida isolada (alternativa A) pode mascarar a progressão, e não se faz redução de dose de inibidores de checkpoint (C): o tratamento é suspenso ou mantido. Com as pesquisas infecciosas negativas, o metronidazol (B) não trata o mecanismo imunomediado.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.