Farmacologia Clínica IITARV - interação dolutegravir e rifampicina na coinfecção TB-HIVNível 3
Homem de 30 anos recebe diagnóstico simultâneo de infecção pelo HIV, com contagem de linfócitos T CD4+ de 150 células/mm³, e tuberculose pulmonar. Inicia o esquema básico com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol (RHZE). A equipe planeja iniciar a terapia antirretroviral (TARV) preferencial do protocolo do Ministério da Saúde: tenofovir, lamivudina e dolutegravir. A função renal é normal.
Qual ajuste é necessário na TARV?
ASubstituir obrigatoriamente o dolutegravir por um inibidor de protease potencializado com ritonavir.
BManter o dolutegravir em dose única diária, porque a rifampicina inibe seu metabolismo e eleva sua concentração.
CUsar dolutegravir 50 mg a cada 12 horas durante o tratamento com rifampicina, porque ela induz a UGT1A1 e o CYP3A4 e reduz os níveis do dolutegravir.✓ correta
DAdiar o início da TARV até o fim do tratamento da tuberculose, para evitar interações.
EReduzir a dose de tenofovir pela metade, pela nefrotoxicidade aditiva com a rifampicina.
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: a rifampicina induz a UGT1A1 e o CYP3A4, as principais vias de eliminação do dolutegravir, e reduz muito sua exposição. O protocolo do Ministério da Saúde recomenda dobrar a dose para 50 mg a cada 12 horas durante o uso de rifampicina e por cerca de 2 semanas após sua suspensão, já que o efeito indutor persiste. Inibidores de protease potencializados com ritonavir (alternativa A) têm interação ainda mais grave com a rifampicina. Adiar a TARV até o fim do tratamento da tuberculose (D) aumenta a mortalidade em pacientes com imunossupressão. A alternativa B inverte o mecanismo, porque a rifampicina é indutora e não inibidora.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.