Farmacologia Clínica IITuberculose - hepatotoxicidade do esquema RHZENível 2
Homem de 45 anos, etilista, está na terceira semana do esquema básico (RHZE) para tuberculose pulmonar. Procura o serviço com náuseas, vômitos, dor em hipocôndrio direito e icterícia. Os exames mostram alanina aminotransferase de 280 U/L (referência até 40 U/L), bilirrubina total de 4,2 mg/dL e sorologias para hepatites virais negativas.
Qual é a conduta mais adequada segundo o manual do Ministério da Saúde?
AManter o esquema e repetir as transaminases em 2 semanas, pois a elevação inicial costuma ser transitória.
BSuspender apenas a pirazinamida e manter rifampicina, isoniazida e etambutol.
CSuspender todo o esquema e, após melhora clínica e laboratorial, reintroduzir os fármacos de forma sequencial, começando por rifampicina com etambutol.✓ correta
DReduzir as doses de todos os fármacos pela metade até a normalização das transaminases.
ESubstituir definitivamente o esquema por levofloxacino, estreptomicina e etambutol, sem tentar reintroduzir os fármacos.
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: hepatotoxicidade com icterícia ou com elevação de transaminases acima de 3 vezes o limite superior com sintomas (ou acima de 5 vezes sem sintomas) exige suspender todo o esquema. Após a melhora clínica e a queda das transaminases, os fármacos são reintroduzidos um a um: rifampicina com etambutol, depois isoniazida e por último pirazinamida, o que permite identificar o responsável. Manter o esquema (alternativa A) arrisca hepatite fulminante, e suspender só a pirazinamida (B) ignora que isoniazida e rifampicina também são hepatotóxicas. Reduzir doses (D) favorece resistência sem garantir segurança. O esquema alternativo (E) fica para quando a reintrodução falha ou o quadro é muito grave.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.