Oncologia e Cuidados PaliativosEfeitos adversos e rodízio de opioidesNível 3
Homem de 68 anos, com câncer de bexiga avançado, recebe morfina subcutânea com a dor controlada. Nos últimos dias, a creatinina subiu por obstrução ureteral. Ele passou a ter mioclonias, sonolência excessiva e alucinações visuais, sem febre e sem sinais neurológicos focais.
Qual é a hipótese e a conduta mais adequadas?
ANeurotoxicidade induzida por opioide, por acúmulo de metabólitos da morfina; reduzir a dose ou trocar por um opioide mais seguro na insuficiência renal (como fentanil ou metadona), hidratar e tratar a causa da piora renal.✓ correta
BProgressão da doença com metástases cerebrais; iniciar já a sedação paliativa contínua com midazolam.
CSíndrome de abstinência de opioide; aumentar a dose de morfina em 50% e manter o esquema.
DCrise convulsiva primária; associar fenitoína e manter a morfina na mesma dose.
EEfeito esperado e transitório; manter a morfina e fazer bolus repetidos de naloxona.
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
A alternativa A está correta: mioclonias, sonolência, alucinações e delirium em quem usa morfina e teve piora da função renal sugerem neurotoxicidade por acúmulo dos metabólitos ativos (morfina-3 e morfina-6-glicuronídeo). A conduta inclui reduzir a dose ou fazer o rodízio de opioides para um fármaco mais seguro na insuficiência renal, hidratar e investigar as causas. A alternativa C erra porque aumentar a dose pioraria o quadro. A alternativa B pula a investigação de uma causa reversível e indica sedação sem sintoma refratário. A alternativa E erra porque a naloxona em bolus repetidos causa dor e abstinência e não é indicada sem depressão respiratória grave (Manual ANCP).Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.