Oncologia e Cuidados PaliativosDor total e avaliação multidimensional do sofrimentoNível 1
Mulher de 61 anos, com câncer do colo do útero avançado, usa morfina oral com titulação adequada e laxante. Mesmo assim, refere dor de intensidade 8/10. Conta que perdeu o emprego, que o marido saiu de casa e pergunta, chorando, "o que eu fiz para merecer isso?".
Qual é a compreensão e a conduta mais adequadas?
ATrata-se de tolerância ao opioide, e a conduta é dobrar a dose de morfina.
BÉ um quadro de dor total; devem ser avaliadas as dimensões física, psíquica, social e espiritual, com anamnese espiritual (por exemplo, FICA) e apoio da equipe multiprofissional.✓ correta
CA dor desproporcional sugere busca por droga, e a dose de opioide deve ser reduzida.
DAs queixas emocionais são esperadas, não mudam a percepção da dor e devem ser abordadas só depois do controle da dor.
EÉ um quadro de depressão maior, e a morfina deve ser trocada por um antidepressivo.
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A alternativa B está correta: o conceito de dor total, de Cicely Saunders, reconhece que o sofrimento tem componentes físicos, psíquicos, sociais e espirituais que se somam. Por isso, a avaliação deve ser multidimensional (ESAS, anamnese espiritual FICA ou HOPE) e feita com a equipe multiprofissional. A alternativa A trata como farmacológico um sofrimento que não é só físico. A alternativa C estigmatiza a paciente sem base clínica. A alternativa D erra porque os fatores emocionais e sociais aumentam a percepção da dor. A alternativa E erra porque a tristeza diante das perdas não equivale automaticamente a depressão maior e não justifica suspender a analgesia (Manual ANCP).Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.