Oncologia e Cuidados PaliativosIndicação e prognóstico em doença não oncológicaNível 2
Homem de 78 anos, com insuficiência cardíaca de fração de ejeção reduzida, classe funcional III a IV da NYHA, teve três internações por descompensação no último ano. Perdeu peso e passou a depender de ajuda para o banho. Na UBS, o médico de família se faz a "pergunta surpresa" e conclui que não ficaria surpreso se o paciente morresse nos próximos 12 meses.
Qual é a interpretação correta desse achado?
AIndica que o tratamento da insuficiência cardíaca deve ser suspenso, por ter se tornado fútil.
BConfirma prognóstico menor que seis meses e indica internação em unidade de fim de vida.
CTem pouco valor em doenças não oncológicas, que não têm trajetória de declínio reconhecível.
DAponta a necessidade de avaliar as demandas paliativas e iniciar o planejamento antecipado de cuidados, mantendo o tratamento otimizado da IC.✓ correta
EDefine uma ordem de não reanimar, que pode ser registrada sem conversa com o paciente.
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: uma resposta negativa à pergunta surpresa é um gatilho de triagem, como o SPICT, para identificar necessidades paliativas e começar o planejamento antecipado de cuidados, sem retirar o tratamento que traz benefício. A alternativa A erra porque o tratamento otimizado da IC também alivia sintomas. A alternativa B superestima a precisão do instrumento, que não define prazo exato nem local de cuidado. A alternativa C erra porque a IC tem uma trajetória típica de declínio com exacerbações e recuperações parciais. A alternativa E fere a autonomia, porque decisões de limitação de suporte são compartilhadas (Manual ANCP; Res. CFM 1.805/2006).Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.