Oncologia e Cuidados PaliativosImunoterapia: efeitos adversos imunomediadosNível 3
Um homem de 59 anos, com melanoma metastático em tratamento com pembrolizumabe (anticorpo anti-PD-1) há 4 meses, com boa resposta tumoral, procura a UBS por cansaço, ganho de peso, intolerância ao frio e constipação há 3 semanas. Os exames mostram TSH de 18 mUI/L (elevado) e T4 livre baixo. O restante da avaliação é normal.
Qual é a interpretação e a conduta mais adequadas?
AProgressão da doença com metástase hipofisária; solicitar ressonância de crânio e suspender definitivamente a imunoterapia
BHipotireoidismo por efeito adverso imunomediado; iniciar reposição com levotiroxina e comunicar a equipe de oncologia, em geral sem suspensão definitiva do tratamento✓ correta
CMielossupressão induzida pelo tratamento; solicitar hemograma e iniciar fator estimulador de colônias
DCardiotoxicidade do tratamento; solicitar ecocardiograma e iniciar betabloqueador
EEfeito imunomediado grave; iniciar corticoide em dose alta e suspender definitivamente a imunoterapia
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A alternativa B está correta: os inibidores de checkpoint imunológico podem causar eventos adversos imunomediados, e a tireoidite com hipotireoidismo primário (TSH alto e T4 livre baixo) é um dos mais frequentes. O manejo é a reposição com levotiroxina e a comunicação com o oncologista, e geralmente o tratamento pode continuar. A alternativa A não se sustenta: lesão hipofisária causaria hipotireoidismo central, com TSH baixo ou inapropriadamente normal. Mielossupressão e cardiotoxicidade por antraciclina (alternativas C e D) são típicas da quimioterapia citotóxica e não explicam o quadro. Corticoide em dose alta (alternativa E) é reservado a toxicidades graves, como colite ou pneumonite, e não é necessário no hipotireoidismo. Referência: diretrizes de manejo de toxicidades imunomediadas (ASCO/ESMO); Manual de Oncologia Clínica do Brasil.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.