Clínica Médica IIILeptospirose e notificação compulsóriaNível 3
Homem de 40 anos, catador de materiais recicláveis, teve contato com água de enchente há 12 dias. Iniciou febre, cefaleia, sufusão conjuntival e dor muscular intensa nas panturrilhas. No 6º dia de doença apresenta icterícia de tom alaranjado e redução do volume urinário.
Exames: bilirrubina total de 12 mg/dL (direta de 9 mg/dL), AST e ALT de cerca de 2 vezes o limite superior, creatinina de 3,4 mg/dL, potássio de 3,2 mEq/L, plaquetas de 70.000/mm³ e CPK elevada.
Qual é a conduta mais adequada?
ATratamento ambulatorial com doxiciclina oral e retorno em 7 dias
BHidratação oral e AINE, sem antibiótico, por já ter passado o 5º dia de doença
CInternação, antibiótico intravenoso (penicilina cristalina ou ceftriaxona), suporte da função renal e notificação compulsória do caso suspeito✓ correta
DAntimalárico empírico, pela combinação de febre e icterícia
EAguardar a sorologia (ELISA IgM) para iniciar o antibiótico e notificar apenas depois da confirmação
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: exposição a enchente, mialgia nas panturrilhas, sufusão conjuntival, icterícia alaranjada, lesão renal aguda com potássio baixo e plaquetopenia caracterizam a forma grave da leptospirose (síndrome de Weil). O manejo é hospitalar, com penicilina cristalina ou ceftriaxona intravenosa e suporte renal, incluindo diálise se necessário. O antibiótico deve ser dado em qualquer fase da doença, o que torna B errada. A doxiciclina ambulatorial (A) serve apenas para as formas leves. A leptospirose é de notificação compulsória já na suspeita, e esperar a sorologia para tratar ou notificar (E) atrasa a conduta e a vigilância. Sem viagem a área endêmica, a malária (D) é pouco provável.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.