Clínica Médica IILeucemia aguda e comunicação de diagnósticoNível 1
Homem de 58 anos, lúcido e orientado, é atendido na Unidade Básica de Saúde por cansaço, febre e equimoses há 3 semanas. O hemograma mostra hemoglobina de 7,8 g/dL, leucócitos de 2.100/mm³ com 40% de blastos e plaquetas de 28.000/mm³. Antes da consulta de retorno, a filha procura o médico e pede que o pai não seja informado sobre a suspeita de câncer. Durante a consulta, o paciente pergunta diretamente o que pode estar causando seus sintomas.
Qual é a conduta mais adequada?
AAtender ao pedido da filha, omitir a suspeita e dizer ao paciente que se trata de uma infecção
BInformar a suspeita apenas aos familiares e solicitar que eles decidam sobre o tratamento
CComunicar a suspeita ao paciente em linguagem acessível, respeitando o quanto ele deseja saber, e encaminhá-lo com urgência à hematologia✓ correta
DAgendar consulta eletiva com o hematologista em 60 dias e informar o paciente somente após o mielograma
EPrescrever corticoide oral e reavaliar o hemograma em 30 dias antes de comunicar qualquer hipótese
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: o Código de Ética Médica veda deixar de informar ao paciente o diagnóstico, o prognóstico e os riscos do tratamento, salvo quando a comunicação direta possa lhe causar dano, e um paciente lúcido que pergunta ativamente tem direito à informação, que deve ser dada de forma progressiva, empática e em linguagem clara. A suspeita de leucemia aguda, com pancitopenia e blastos no sangue periférico, é urgência e exige encaminhamento imediato a serviço de hematologia. Omitir a informação a pedido da família fere a autonomia do paciente. Atrasar o encaminhamento ou prescrever corticoide empírico pode piorar o prognóstico e dificultar o diagnóstico.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.