Clínica Médica IIUrgência x emergência hipertensivaNível 2
Mulher de 58 anos, hipertensa, parou por conta própria a losartana há duas semanas. Procura o pronto-atendimento com cefaleia leve. Está consciente, orientada, sem déficit neurológico focal, sem dor torácica e sem dispneia. PA de 200/120 mmHg, confirmada em nova medida após repouso. A fundoscopia não mostra papiledema nem hemorragias. ECG sem alterações isquêmicas. Creatinina de 0,9 mg/dL e exame de urina sem alterações.
Qual é a conduta mais adequada?
AInternar em UTI e iniciar nitroprussiato de sódio intravenoso
BAdministrar nifedipino sublingual para reduzir a PA em minutos
CReduzir a PA para 120/80 mmHg na primeira hora com labetalol intravenoso
DReintroduzir o anti-hipertensivo oral e reduzir a PA de forma gradual, em 24 a 48 horas✓ correta
EInternar para investigar hipertensão secundária antes de qualquer tratamento
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: trata-se de PA muito elevada sem lesão aguda de órgão-alvo (urgência hipertensiva), e a conduta é retomar a terapia oral, reduzir a PA de forma gradual em 24 a 48 horas e garantir seguimento ambulatorial próximo. Os fármacos intravenosos em UTI, como o nitroprussiato, ficam para a emergência hipertensiva, em que há lesão aguda de órgão-alvo, o que não ocorre aqui. O nifedipino sublingual é contraindicado, porque provoca queda abrupta e imprevisível da PA, com risco de isquemia cerebral e miocárdica. Reduzir a PA para níveis normais em uma hora também é perigoso pela perda da autorregulação. A causa provável do descontrole é a falta de adesão, que deve ser abordada antes de pensar em causas secundárias.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.