Clínica Médica ICirrose: peritonite bacteriana espontâneaNível 2
Homem de 55 anos com cirrose hepática alcoólica e ascite volumosa é internado com febre de 37,9 °C, dor abdominal difusa leve e piora do estado geral. Sem sinais de irritação peritoneal localizada nem sangramento. PA 104/66 mmHg, FC 98 bpm.
Exames: creatinina 1,6 mg/dL, bilirrubina total 3,2 mg/dL. Paracentese diagnóstica: líquido turvo, 420 polimorfonucleares/mm³ e gradiente soro-ascite de albumina de 1,8 g/dL. Gram sem bactérias visíveis; cultura em andamento.
Qual é a conduta mais adequada?
AAguardar o resultado da cultura antes de iniciar antibiótico
BParacentese de grande volume e aumento da dose de diuréticos
CLaparotomia exploradora por suspeita de peritonite secundária
DCefalosporina de terceira geração intravenosa associada a albumina✓ correta
ENorfloxacino oral em dose profilática, sem outras medidas
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: polimorfonucleares ≥ 250/mm³ no líquido ascítico de cirrótico, sem causa cirúrgica aparente, definem peritonite bacteriana espontânea, e o antibiótico empírico (ceftriaxona ou cefotaxima) deve ser iniciado logo, sem aguardar a cultura (A). A albumina intravenosa no 1º e no 3º dia reduz a síndrome hepatorrenal e a mortalidade, sobretudo com creatinina > 1 mg/dL, como neste caso. A paracentese de grande volume com mais diurético (B) piora o risco de lesão renal na vigência da infecção. A laparotomia (C) só seria indicada se houvesse suspeita de peritonite secundária, e o norfloxacino (E) serve como profilaxia, não como tratamento.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.