Clínica Médica IUrgência e emergência hipertensivaNível 2
Homem de 58 anos, hipertenso, está sem medicação há duas semanas porque o remédio acabou. Procura o pronto-atendimento para renovar a receita e está assintomático. A PA é de 196/118 mmHg, confirmada após 15 minutos de repouso, com FC de 80 bpm. Não há cefaleia, déficit neurológico, dor torácica nem dispneia. O fundo de olho não mostra papiledema, hemorragias ou exsudatos. O ECG não tem sinais de isquemia aguda, e a creatinina e o exame de urina são normais.
Qual é a conduta mais adequada?
AReiniciar ou ajustar o anti-hipertensivo oral, buscando redução gradual da PA em 24 a 48 horas, com reavaliação ambulatorial precoce.✓ correta
BInternar em UTI e iniciar nitroprussiato de sódio intravenoso, com redução de 25% da PA na primeira hora.
CAdministrar nifedipino de liberação imediata por via sublingual para reduzir a PA rapidamente.
DInternar e administrar furosemida intravenosa até que a PA fique abaixo de 140/90 mmHg no mesmo dia.
EClassificar como emergência hipertensiva e iniciar betabloqueador intravenoso em infusão contínua.
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
A alternativa A está correta: sem lesão aguda de órgão-alvo, o quadro é de PA muito elevada sem emergência (urgência hipertensiva, na terminologia da SBC 2020), e o tratamento é feito com anti-hipertensivo oral e redução gradual em 24 a 48 horas, garantindo seguimento. Fármacos intravenosos em UTI (B, E) ficam reservados à emergência hipertensiva, que exige lesão aguda de órgão-alvo, ausente no caso. O nifedipino sublingual (C) é contraindicado, pois causa queda abrupta e imprevisível da PA, com risco de isquemia cerebral e miocárdica. Baixar a PA para valores normais no mesmo dia (D) também é inadequado, porque a redução rápida em paciente cronicamente hipertenso compromete a perfusão de órgãos.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.