Clínica Médica IDistúrbios do potássio - hipercalemiaNível 1
Homem de 66 anos tem doença renal crônica estágio G4 e insuficiência cardíaca. Usa enalapril e espironolactona e procura o pronto-socorro com fraqueza muscular há 2 dias. A PA é de 130/80 mmHg e a FC de 58 bpm. O potássio sérico é de 7,2 mEq/L (VR: 3,5 a 5,0 mEq/L). O ECG mostra ondas T apiculadas e simétricas, achatamento das ondas P e alargamento do complexo QRS.
Qual é a primeira medida a ser tomada?
AAdministrar poliestirenossulfonato de cálcio por via oral como medida inicial e única.
BAdministrar gluconato de cálcio a 10% por via intravenosa, para estabilizar a membrana miocárdica.✓ correta
CAdministrar furosemida intravenosa isolada, para aumentar a excreção renal de potássio.
DAdministrar bicarbonato de sódio como primeira escolha para todos os casos de hipercalemia.
EIndicar hemodiálise imediata antes de qualquer outra medida farmacológica.
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A alternativa B está correta: hipercalemia grave com alterações no ECG (ondas T apiculadas, perda da onda P e QRS alargado) traz risco iminente de arritmia, e a primeira medida é o gluconato de cálcio intravenoso, que estabiliza a membrana miocárdica em minutos, embora não reduza o potássio. Em seguida, desloca-se o potássio para dentro das células com insulina regular e glicose, ou com beta-2-agonista inalatório, e promove-se sua eliminação, além de suspender os fármacos que retêm potássio. As resinas de troca (A) e a furosemida (C) agem lentamente e não protegem o coração de imediato. O bicarbonato (D) é adjuvante, sobretudo na acidose metabólica. A diálise (E) pode ser necessária na doença renal avançada, mas não substitui a estabilização imediata da membrana.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.