Clínica Médica IDoença renal crônica - estadiamento KDIGO e nefroproteçãoNível 3
Homem de 58 anos tem diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão. Em duas avaliações com intervalo de mais de 3 meses, a taxa de filtração glomerular estimada foi de 38 mL/min/1,73 m² e a relação albumina/creatinina urinária de 250 mg/g. A PA é de 146/88 mmHg, em uso de anlodipino 10 mg/dia. O potássio é de 4,5 mEq/L.
Considere a classificação KDIGO. Filtração (mL/min/1,73 m²): G3a, de 45 a 59; G3b, de 30 a 44; G4, de 15 a 29. Albuminúria (mg/g): A1, abaixo de 30; A2, de 30 a 300; A3, acima de 300.
Qual é a classificação e a medida nefroprotetora mais adequada?
AG3a A3; suspender todos os anti-hipertensivos, para preservar a perfusão renal.
BG4 A2; associar IECA e BRA, para bloqueio duplo do sistema renina-angiotensina.
CG3b A2; usar diurético de alça como principal medida nefroprotetora.
DG3b A3; prescrever restrição proteica muito intensa (menos de 0,3 g/kg/dia) como medida isolada.
EG3b A2; associar IECA ou BRA em dose máxima tolerada, monitorando potássio e creatinina.✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: a taxa de filtração de 38 corresponde a G3b e a relação albumina/creatinina de 250 mg/g a A2. Na doença renal crônica com albuminúria, o KDIGO recomenda IECA ou BRA titulado até a dose máxima tolerada, para reduzir a proteinúria e a progressão, com controle de potássio e creatinina em 2 a 4 semanas. Em pacientes com diabetes, o KDIGO também recomenda associar um iSGLT2. A combinação de IECA com BRA (B) aumenta hipercalemia e lesão renal sem benefício. O diurético de alça (C) controla volume, mas não é nefroprotetor. A restrição proteica muito intensa e isolada (D) traz risco de desnutrição e não substitui o bloqueio do sistema renina-angiotensina. Suspender os anti-hipertensivos (A) pioraria a progressão da doença.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.