Clínica Médica IInsuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida - terapia que modifica a doençaNível 2
Homem de 60 anos tem cardiomiopatia isquêmica, com fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 30% ao ecocardiograma. Refere dispneia aos esforços moderados (classe funcional II da NYHA). Hoje está euvolêmico: não há turgência jugular, estertores nem edema. A PA é de 118/72 mmHg e a FC de 88 bpm, em ritmo sinusal. O potássio é de 4,6 mEq/L e a creatinina de 1,1 mg/dL. Usa enalapril 10 mg de 12/12 horas e furosemida 40 mg/dia.
Qual medicamento, acrescentado ao esquema, contribui para reduzir a mortalidade?
ADigoxina em dose de manutenção.
BAnlodipino em dose baixa.
CDiltiazem para controle da frequência.
DCarvedilol em dose baixa, com titulação progressiva.✓ correta
EAumento da dose de furosemida para 80 mg/dia.
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, os betabloqueadores com benefício comprovado (carvedilol, bisoprolol, succinato de metoprolol) reduzem mortalidade e devem ser iniciados em dose baixa no paciente euvolêmico, com titulação progressiva. Junto com IECA/BRA/sacubitril-valsartana, antagonista mineralocorticoide e iSGLT2, eles formam a terapia que modifica a doença (Diretriz Brasileira de IC, SBC). A digoxina (A) melhora sintomas e reduz internações, mas não a mortalidade. O anlodipino (B) tem efeito neutro na sobrevida. O diltiazem (C), bloqueador de canal de cálcio não di-hidropiridínico, tem efeito inotrópico negativo e piora o desfecho na IC com fração de ejeção reduzida. O diurético de alça (E) só alivia a congestão, que não está presente.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.