Genética HumanaFibrose cística: classes de mutação em CFTRNível 2
Uma criança com fibrose cística é homozigota para a variante p.Phe508del (c.1521_1523del) no gene CFTR, a mais frequente nos pacientes brasileiros. Estudos celulares mostram que a proteína CFTR mutante é sintetizada, mas se dobra de forma errada, fica retida no retículo endoplasmático e é degradada. Por isso, quase nenhuma proteína chega à membrana apical.
Em que classe de variante de CFTR essa alteração se enquadra?
AClasse I: a proteína não é sintetizada, por causa de códon de parada prematuro ou de alteração grave no splicing.
BClasse III: a proteína chega à membrana, mas a abertura do canal (gating) está defeituosa.
CClasse IV: a proteína chega à membrana e abre, mas conduz menos íons cloreto pelo poro.
DClasse V: a proteína é normal, mas é produzida em quantidade menor por alteração parcial no splicing.
EClasse II: a proteína é sintetizada, mas tem defeito de dobramento e de processamento, e não chega à membrana.✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta. A p.Phe508del é o exemplo clássico da classe II: a proteína é produzida, mas se dobra de forma errada e é retida e degradada no retículo endoplasmático, e por isso falta CFTR na membrana. A classe I (A) reúne variantes nonsense e outras que impedem a síntese da proteína. A classe III (B) tem a proteína na membrana com defeito de abertura do canal, como na p.Gly551Asp. Essa diferença entre as classes ajuda a entender por que os moduladores de CFTR (corretores e potenciadores) agem de forma diferente conforme o genótipo.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.