Patologia em Clínica CirúrgicaBexiga - carcinoma urotelial e invasão da muscular própriaNível 3
Homem de 66 anos, tabagista, apresenta hematúria macroscópica indolor. A cistoscopia mostra lesão papilífera de 3 cm na parede lateral da bexiga, e ele é submetido a ressecção transuretral (RTU).
O laudo anatomopatológico descreve carcinoma urotelial papilífero de alto grau com invasão da lâmina própria. O patologista observa que não há camada muscular própria (detrusor) representada na amostra.
Qual é a conduta mais adequada?
ARepetir a RTU em 2 a 6 semanas, incluindo a muscular própria, para completar o estadiamento✓ correta
BIniciar BCG intravesical imediatamente, pois a lesão está restrita à lâmina própria (pT1)
CIndicar cistectomia radical imediata, pois todo carcinoma urotelial de alto grau invade a muscular
DManter apenas seguimento cistoscópico trimestral, pois lesões papilíferas são superficiais
EIndicar quimioterapia sistêmica neoadjuvante, considerando o tumor como músculo-invasivo
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
A distinção entre tumor não músculo-invasivo e músculo-invasivo (pT2) é o principal divisor da conduta no câncer de bexiga, e ela só é possível quando a amostra contém a muscular própria. Em tumor de alto grau com invasão da lâmina própria e sem detrusor na amostra, há risco considerável de subestadiamento, por isso se indica nova RTU antes de definir o tratamento. Iniciar BCG sem completar o estadiamento pode deixar sem tratamento adequado um tumor músculo-invasivo. Cistectomia ou quimioterapia neoadjuvante pressupõem invasão muscular, que ainda não foi demonstrada. O carcinoma in situ, plano e de alto grau, também é lesão de risco e deve ser procurado no seguimento.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.