Patologia em Clínica CirúrgicaCabeça e pescoço - carcinoma epidermoide de orofaringe associado ao HPVNível 2
Homem de 48 anos, não tabagista e etilista social, procura atendimento por massa cervical indolor no nível II à direita, de 4 cm, surgida há 2 meses. A ultrassonografia mostra linfonodo de aspecto cístico. Na oroscopia, a tonsila palatina direita está aumentada e endurecida. A biópsia da tonsila mostra carcinoma epidermoide não queratinizante, com imuno-histoquímica mostrando positividade forte e difusa para p16.
Qual é a interpretação correta desse quadro?
ACarcinoma epidermoide associado a tabaco e álcool; a positividade para p16 indica mutação de TP53 e pior prognóstico
BCarcinoma de nasofaringe associado ao vírus Epstein-Barr; a tonsila palatina é sítio secundário
CCarcinoma epidermoide associado ao HPV de alto risco; tem melhor prognóstico e estadiamento TNM próprio na 8ª edição✓ correta
DCisto branquial do segundo arco com degeneração; a lesão tonsilar é hiperplasia linfoide reacional
ECarcinoma epidermoide de origem cutânea com metástase cervical; o p16 é marcador de origem na pele
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
O carcinoma epidermoide de orofaringe associado ao HPV de alto risco (principalmente o tipo 16) ocorre em pacientes mais jovens, muitas vezes sem tabagismo, tem morfologia não queratinizante e frequentemente se apresenta como metástase linfonodal cística. A superexpressão difusa de p16 é marcador substituto da infecção por HPV, porque a oncoproteína E7 inativa o RB. Esses tumores têm melhor prognóstico, e por isso a 8ª edição do TNM da AJCC/UICC tem estadiamento próprio para eles. O tumor ligado a tabaco e álcool é, em geral, p16 negativo e associado a mutação de TP53. Em adulto com massa cervical cística, o diagnóstico de cisto branquial só deve ser feito depois de afastada metástase.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.