Otorrinolaringologia e OftalmologiaCeratite herpética - riscos do corticoide tópicoNível 3
Homem de 40 anos procura o pronto-socorro por olho direito vermelho, doloroso, com fotofobia e lacrimejamento há 4 dias. Como achou que era "conjuntivite", passou a usar por conta própria um colírio de dexametasona que a vizinha tinha em casa, e os sintomas pioraram. Refere episódios recorrentes de vesículas no lábio.
Ao exame: acuidade visual de 20/50 no olho direito; hiperemia conjuntival e ciliar; sensibilidade corneana diminuída à direita. Após fluoresceína, observa-se úlcera epitelial ramificada, com bulbos terminais nas extremidades.
Qual é a conduta mais adequada?
AAumentar a frequência do colírio de dexametasona, pois a inflamação ainda não foi controlada
BTrocar o colírio por associação de tobramicina e dexametasona, para cobrir infecção bacteriana
CPrescrever colírio de natamicina, pela hipótese de ceratite fúngica
DOcluir o olho por 24 horas e prescrever colírio anestésico para controle da dor
ESuspender o corticoide, iniciar antiviral (aciclovir pomada oftálmica ou aciclovir oral) e encaminhar ao oftalmologista✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: úlcera dendrítica com bulbos terminais e hipoestesia corneana em paciente com herpes labial recorrente é ceratite epitelial pelo herpes simples, tratada com antiviral tópico ou oral, suspensão do corticoide e acompanhamento oftalmológico. O corticoide tópico favorece a replicação viral, aumenta a úlcera (que pode se tornar geográfica) e pode levar a perfuração, por isso aumentá-lo (A) ou associá-lo a antibiótico (B) é erro grave. A ceratite fúngica (C) tem infiltrado de bordas plumosas e história de trauma vegetal, não lesão dendrítica. A oclusão com anestésico (D) retarda a cicatrização e é tóxica. Ponto-chave: a automedicação com colírio de corticoide é perigosa, e o médico deve evitar prescrevê-lo sem exame em lâmpada de fenda.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.