Otorrinolaringologia e OftalmologiaPerda visual súbita - arterite de células gigantesNível 2
Mulher de 74 anos procura atendimento por cefaleia temporal de início recente, há 3 semanas, com dor ao pentear os cabelos e dor na mandíbula ao mastigar, que melhora quando para de comer. Ontem teve episódio de perda visual total do olho direito que durou cerca de 5 minutos e regrediu espontaneamente. Refere também dores e rigidez nos ombros pela manhã.
Ao exame: artéria temporal direita endurecida, dolorosa e com pulso diminuído; acuidade visual de 20/30 em ambos os olhos. VHS de 92 mm na primeira hora.
Qual é a conduta mais adequada?
AAguardar a biópsia da artéria temporal para confirmar o diagnóstico antes de iniciar o tratamento
BIniciar imediatamente corticoide sistêmico em dose alta e programar a biópsia da artéria temporal, sem retardar o tratamento✓ correta
CPrescrever ácido acetilsalicílico e reavaliar em ambulatório após 2 semanas
DPrescrever triptano para a cefaleia e solicitar avaliação neurológica eletiva
ESolicitar tomografia de crânio e dar alta com analgésico se o exame for normal
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A alternativa B está correta: idosa com cefaleia nova, claudicação mandibular, artéria temporal anormal, sintomas de polimialgia reumática, VHS muito elevada e amaurose fugaz tem arterite de células gigantes com alto risco de cegueira irreversível, inclusive bilateral, nos dias seguintes. O corticoide em dose alta deve ser iniciado já na suspeita, e a biópsia continua informativa por alguns dias a semanas após o início do tratamento, por isso aguardá-la (A) é um erro grave. AAS isolado (C), triptano (D) e tomografia com alta (E) não protegem a visão. Ponto-chave: em idoso com perda visual transitória ou súbita, sempre perguntar sobre sintomas de arterite e pedir VHS e PCR.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.