Otorrinolaringologia e OftalmologiaOtite externa maligna (necrosante)Nível 3
Homem de 72 anos, com diabetes tipo 2 mal controlado (HbA1c de 10,5%), queixa-se de otalgia direita intensa há 4 semanas, que piora à noite, com otorreia. Já usou gotas otológicas de ciprofloxacino por 10 dias, sem melhora.
No exame, há dor à manipulação do pavilhão e tecido de granulação no assoalho do conduto auditivo externo, na junção osteocartilaginosa. A membrana timpânica está íntegra. A mímica facial está normal e o VHS está elevado.
Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta adequada?
AOtite externa necrosante: internação, exame de imagem e antibioticoterapia sistêmica com cobertura antipseudomonas✓ correta
BOtite externa difusa: trocar a gota por associação de neomicina e polimixina B e reavaliar em 7 dias
COtomicose: limpeza do conduto e antifúngico tópico ambulatorial
DFurunculose do conduto: drenagem local e cefalexina oral
EOtite média crônica simples: manter o ciprofloxacino tópico por mais 14 dias
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
A alternativa A está correta: idoso diabético com otalgia desproporcional e noturna, tecido de granulação no assoalho do conduto, falha do tratamento tópico e VHS elevado sugere otite externa necrosante (maligna), geralmente por Pseudomonas aeruginosa. Ela é uma osteomielite da base do crânio, que pede internação, TC ou cintilografia, antibiótico sistêmico antipseudomonas prolongado e controle glicêmico. Trocar a gota (B) ou manter o tratamento tópico (E) atrasa o diagnóstico de uma doença que pode evoluir com paralisia de nervos cranianos e morte. A otomicose (C) e a furunculose (D) não produzem granulação com esse quadro sistêmico. Ponto-chave: otite externa refratária em diabético ou imunossuprimido deve levar a pensar em otite externa necrosante.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.