ObstetríciaHemorragia pós-parto e índice de choqueNível 3
Secundigesta de 34 anos, com parto vaginal há 40 minutos em hospital de pequeno porte, que tem estoque limitado de concentrado de hemácias e nenhum cirurgião disponível de imediato. Tem hemorragia pós-parto por atonia e já recebeu massagem bimanual, ocitocina IV, metilergometrina 0,2 mg IM, misoprostol 800 mcg via retal e ácido tranexâmico 1 g IV. Continua sangrando. FC de 132 bpm, PA de 85 x 50 mmHg, sonolenta. A transferência para um hospital de referência está sendo providenciada.
Qual é a interpretação hemodinâmica e qual é a conduta mais adequada?
AÍndice de choque acima de 1,4: balão intrauterino, traje antichoque, transfusão disponível e transferência✓ correta
BÍndice de choque abaixo de 1: repetir ocitocina e observar por mais 1 hora antes de transferir
CÍndice de choque de 1: transferir sem outras medidas, pois o traje antichoque é contraindicado no transporte
DÍndice de choque acima de 1,4: fazer sutura de B-Lynch por via vaginal antes da transferência
EÍndice de choque de 0,6: fazer curetagem uterina e aguardar a estabilização espontânea
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
O índice de choque (FC dividida pela PAS) é 132/85, cerca de 1,55. Um índice de 1,4 ou mais indica choque grave e necessidade de transfusão imediata (OPAS e FEBRASGO), por isso o concentrado de hemácias disponível deve ser iniciado. Com a falha dos uterotônicos, estão indicados o balão de tamponamento intrauterino e o traje antichoque não pneumático, uma medida de ponte segura e recomendada justamente durante o transporte, além da transferência para o hospital de referência. A sutura de B-Lynch é uma sutura compressiva feita por laparotomia, não por via vaginal. Observar por mais tempo nessa situação contraria o conceito de hora de ouro.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.