ObstetríciaTrabalho de parto prematuro: corticoide, tocólise e neuroproteçãoNível 3
Primigesta de 24 anos, com 30 semanas e 2 dias pela USG de primeiro trimestre, chega à maternidade com contrações dolorosas e regulares há 2 horas, 3 em 10 minutos. Está afebril, com PA 110x70 mmHg e BCF 145 bpm. Ao toque, o colo tem 3 cm de dilatação e 80% de esvaecimento, com bolsa íntegra e sem sangramento. Não fez cultura para estreptococo do grupo B. Não há contraindicações maternas ou fetais à tocólise.
Qual é a conduta mais adequada?
ABetametasona 12 mg IM em dose única, progesterona vaginal como tocolítico e alta
BTocólise com terbutalina e corticoide repetido toda semana até 34 semanas
CBetametasona em duas doses e nifedipino, sem sulfato de magnésio, que é reservado para menos de 28 semanas
DIndução com ocitocina, porque a tocólise é contraindicada após 28 semanas
EBetametasona 12 mg IM em 2 doses com 24 horas de intervalo, tocólise com nifedipino, sulfato de magnésio para neuroproteção e profilaxia para EGB✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: em trabalho de parto prematuro com 30 semanas, a conduta é fazer corticoide antenatal (betametasona 12 mg IM, 2 doses com 24 horas de intervalo, ou dexametasona 6 mg IM de 12 em 12 horas, 4 doses) e tocólise por cerca de 48 horas, de preferência com nifedipino, para que o corticoide faça efeito. Como o parto pode ocorrer antes de 32 semanas, entra também o sulfato de magnésio para neuroproteção fetal (ataque de 4 g IV seguido de 1 g/h). Com cultura para EGB desconhecida, faz-se profilaxia com penicilina cristalina ou ampicilina. A neuroproteção vale para menos de 32 semanas, e não só para menos de 28 (C). A progesterona não é tocolítica (A), e não se repete o corticoide toda semana (B). A tocólise é aceita até 34 semanas (D). Fonte: FEBRASGO, Parto Pré-termo, e Ministério da Saúde, Manual de Gestação de Alto Risco (2022).Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.