ObstetríciaGestação múltipla: síndrome de transfusão feto-fetalNível 3
Gestante de 29 anos, G2P1A0, com gestação gemelar monocoriônica diamniótica de 20 semanas e 3 dias, refere aumento rápido do volume abdominal nas últimas 2 semanas. A ultrassonografia mostra que o feto A tem maior bolsa vertical de líquido amniótico de 10,5 cm e bexiga distendida, e que o feto B tem maior bolsa vertical de 1,2 cm e bexiga não visualizada. O Doppler da artéria umbilical e do ducto venoso é normal nos dois fetos, e o colo uterino mede 35 mm.
Qual é a conduta mais adequada?
AEncaminhar a um centro de medicina fetal para fotocoagulação a laser das anastomoses placentárias✓ correta
BManter o seguimento ultrassonográfico quinzenal de rotina da gestação monocoriônica
CInterromper a gestação imediatamente
DPrescrever indometacina para reduzir o polidrâmnio do feto receptor
ERealizar amniodrenagem seriada como tratamento definitivo de escolha
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
A alternativa A está correta: o quadro é de síndrome de transfusão feto-fetal em estágio II de Quintero, com sequência polidrâmnio e oligoâmnio e bexiga do doador não visualizada, mas Doppler normal. Entre 16 e 26 semanas, o tratamento de escolha é a fotocoagulação a laser das anastomoses placentárias por fetoscopia em centro especializado, que dá maior sobrevida e menos sequelas neurológicas do que a amniodrenagem. A amniodrenagem seriada (E) é paliativa e fica para quando não há acesso ao laser ou fora da janela. Manter só o seguimento de rotina (B) é inadequado depois do diagnóstico. A interrupção com 20 semanas (C) é inviável, e a indometacina (D) não trata a síndrome e pode prejudicar o feto. Fonte: FEBRASGO, Gestação Gemelar, e ISUOG Practice Guidelines on Twin Pregnancy.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.