ObstetríciaDoenças clínicas na gestação: síndrome antifosfolípideNível 2
Mulher de 33 anos, G4P0A3, teve três abortamentos espontâneos consecutivos antes de 10 semanas. Na investigação, o anticoagulante lúpico foi positivo em duas dosagens com 12 semanas de intervalo. Nunca teve trombose venosa ou arterial, e o rastreamento para lúpus eritematoso sistêmico é negativo. Agora está com 6 semanas de uma nova gestação, com embrião e BCF presentes à USG transvaginal.
Qual é a conduta mais adequada para esta gestação?
AVarfarina em dose ajustada pelo RNI durante toda a gestação
BPrednisona 40 mg/dia até o fim do primeiro trimestre
CAAS em baixa dose associado a heparina de baixo peso molecular em dose profilática✓ correta
DAAS em baixa dose isolado, sem heparina
EEnoxaparina em dose plena (1 mg/kg de 12 em 12 horas), sem AAS
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: a paciente tem síndrome antifosfolípide obstétrica (três ou mais perdas precoces consecutivas e anticoagulante lúpico persistente) sem trombose prévia. A recomendação é AAS em baixa dose associado a heparina de baixo peso molecular em dose profilática, por exemplo enoxaparina 40 mg SC ao dia, durante a gestação e até 6 semanas após o parto. A varfarina (A) é teratogênica, sobretudo entre 6 e 12 semanas, e deve ser substituída por heparina na gestação. A dose plena de anticoagulante (E) fica para a SAF com trombose prévia. O corticoide (B) não melhora o desfecho e aumenta as complicações maternas. O AAS isolado (D) é inferior à associação com heparina nesse cenário. Fonte: FEBRASGO, Trombofilias e Gestação, e ACOG Practice Bulletin 132.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.