ObstetríciaHipertensão crônica e segurança de fármacos na gestaçãoNível 1
Mulher de 32 anos, hipertensa crônica há 4 anos, em uso de enalapril 20 mg/dia, descobre gestação com beta-hCG positivo. A USG transvaginal mostra gestação tópica com embrião de 7 semanas e BCF presente. PA 148x96 mmHg, sem outras queixas. Função renal e exame de urina normais.
Qual é a conduta mais adequada em relação ao tratamento anti-hipertensivo?
AManter o enalapril, pois o risco fetal dos IECA se restringe ao terceiro trimestre
BSubstituir o enalapril por losartana, que tem melhor perfil de segurança fetal
CSuspender o enalapril e iniciar furosemida em monoterapia
DManter o enalapril e associar hidroclorotiazida para melhorar o controle
ESuspender o enalapril e substituí-lo por metildopa ou nifedipino de liberação prolongada✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: os inibidores da ECA são contraindicados na gestação e devem ser trocados assim que a gravidez é diagnosticada. Os anti-hipertensivos de escolha são a metildopa e o nifedipino de liberação prolongada, e a hidralazina oral e alguns betabloqueadores são opções de segunda linha. O enalapril não deve ser mantido (A e D) porque se associa a fetopatia (oligoâmnio, insuficiência renal fetal, hipoplasia pulmonar e de calota craniana), sobretudo a partir do segundo trimestre, e não há vantagem em continuá-lo. Os bloqueadores do receptor de angiotensina, como a losartana (B), têm a mesma contraindicação. A furosemida (C) não é anti-hipertensivo de manutenção na gestação, porque reduz o volume plasmático. Fonte: Ministério da Saúde, Manual de Gestação de Alto Risco (2022), e FEBRASGO, Protocolo de Hipertensão Crônica na Gestação.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.