Medicina de Emergência e Cirurgia do TraumaTrauma raquimedular - choque neurogênicoNível 2
Homem de 24 anos cai de um telhado de cerca de 3 metros e chega com colar cervical. Está acordado, sem movimento nem sensibilidade abaixo dos ombros, com respiração predominantemente diafragmática. A pele dos membros está quente e rosada.
Sinais vitais: PA 78 x 42 mmHg, FC 52 bpm, FR 22 irpm, SpO2 95% com oxigênio, Glasgow 15, temperatura 36,0 °C. Não há sangramento externo. O eFAST e as radiografias de tórax e pelve são normais. Após 1 L de cristaloide, a PA chegou a 82 x 46 mmHg.
Qual a conduta mais adequada para a hipotensão?
AAdministrar metilprednisolona em dose alta nas primeiras 8 horas do trauma
BInfundir mais 3 a 4 L de cristaloide até a pressão arterial normalizar
CAtivar o protocolo de transfusão maciça e transfundir empiricamente
DIniciar noradrenalina em infusão contínua, titulada para restaurar a perfusão✓ correta
EIndicar laparotomia exploradora para afastar hemorragia abdominal oculta
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: hipotensão com bradicardia e pele quente após lesão cervical, sem sinais de sangramento, caracteriza choque neurogênico, causado pela perda do tônus simpático. Afastada a hemorragia e feita uma reposição volêmica criteriosa, trata-se com vasopressor; a atropina fica para a bradicardia sintomática. Não se deve confundi-lo com choque medular, que é a perda transitória de reflexos e da função neurológica abaixo da lesão, sem relação com a hemodinâmica. Grande volume de cristaloide (B) leva a congestão pulmonar em quem não está hipovolêmico. A metilprednisolona (A) não é recomendada pelas diretrizes atuais. A transfusão maciça (C) e a laparotomia (E) não têm indicação com eFAST e exames de imagem negativos.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.