Medicina de Emergência e Cirurgia do TraumaTrauma cranioencefálico - prevenção de lesão secundáriaNível 3
Homem de 30 anos, vítima de colisão automobilística, chega com TCE grave (Glasgow 6), já intubado e em ventilação mecânica. Não há sinais clínicos de herniação. A TC de crânio mostra contusões frontais, sem lesão com indicação cirúrgica imediata. O eFAST e as radiografias de tórax e pelve são normais.
Dados atuais: PA 92 x 58 mmHg, FC 100 bpm, SpO2 93%, PaCO2 de 41 mmHg na gasometria, temperatura 37,8 °C, glicemia capilar 210 mg/dL.
Qual das condutas abaixo é a mais adequada para prevenir a lesão cerebral secundária?
AManter hipotensão permissiva com PAS em torno de 80 mmHg até o controle do sangramento
BCorrigir a hipotensão com volume isotônico, mantendo normocapnia e normoxemia✓ correta
CHiperventilar de forma profilática para manter a PaCO2 entre 25 e 30 mmHg
DAdministrar metilprednisolona em dose alta para reduzir o edema cerebral
EUsar soro glicosado a 5% como hidratação de manutenção para evitar hipoglicemia
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A alternativa B está correta: no TCE grave, hipotensão e hipóxia são os principais fatores de lesão secundária. O ATLS recomenda pressão sistólica de pelo menos 110 mmHg entre 15 e 49 anos, normocapnia (PaCO2 35 a 45 mmHg) e oxigenação adequada, com soluções isotônicas e sem glicose. A hipotensão permissiva (A) é contraindicada no TCE porque reduz a pressão de perfusão cerebral. A hiperventilação profilática (C) causa vasoconstrição e isquemia cerebral e fica reservada a sinais de herniação iminente, por pouco tempo. O corticoide (D) aumenta a mortalidade no TCE. O soro glicosado (E) é hipotônico, piora o edema, e a hiperglicemia agrava o dano neuronal.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.