Medicina de Emergência e Cirurgia do TraumaTrauma de extremidades - síndrome compartimentalNível 2
Homem de 28 anos com fratura fechada da diáfise da tíbia, com imobilização gessada circular colocada há 6 horas, refere dor intensa e progressiva na perna que não melhorou com morfina venosa. A dor piora muito com a extensão passiva dos dedos e há parestesia no dorso do pé. O pulso pedioso é palpável e simétrico.
Sinais vitais: PA 130 x 80 mmHg, FC 104 bpm, FR 20 irpm, SpO2 98% em ar ambiente, Glasgow 15, temperatura 36,8 °C.
Qual a conduta mais adequada?
APedir Doppler arterial e aguardar ausência de pulso para confirmar o diagnóstico
BManter o gesso, elevar o membro acima do coração e intensificar a analgesia
CReavaliar em 6 horas, pois o pulso pedioso palpável afasta isquemia
DSolicitar arteriografia do membro para afastar lesão vascular associada
ERetirar o gesso e solicitar avaliação cirúrgica para fasciotomia de urgência✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: dor desproporcional à lesão, que piora com o estiramento passivo e vem com parestesia, sugere síndrome compartimental. A conduta é retirar qualquer gesso ou curativo constritivo e pedir avaliação cirúrgica imediata para fasciotomia. O pulso distal costuma continuar presente até fases tardias, por isso esperar sua ausência (A) ou se tranquilizar com ele (C) leva a necrose muscular e perda funcional. Elevar o membro acima do coração (B) reduz a pressão de perfusão do compartimento; o ATLS recomenda mantê-lo na altura do coração. A arteriografia (D) não investiga o problema principal e atrasa o tratamento.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.